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A hora certa de tirar o siso


Publicado em 13 Janeiro 2016

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Como os sisos normalmente despontam em uma idade que coincide com o início das responsabilidades da vida adulta, é inevitável: basta alguém dizer que arrancou o terceiro molar para ouvir a piada de que perdeu o juízo. A ironia é que dois estudos americanos sugerem que a falta de senso pode estar justamente em mantê-lo. Isso porque, sem acompanhamento e higiene adequados, esses dentes camuflam encrencas graves.

Embora a maioria só procure o dentista depois de sentir a dor provocada quando o siso rasga a gengiva, especialistas indicam que o melhor período para retirá-lo é entre os 15 e os 18 anos ou antes de ele irromper. “Nessa faixa etária, a raiz não está completamente formada, tem cerca de dois terços, e o osso é mais maleável”, justifica Marisa Gabrielli, cirurgiã bucomaxilofacial da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, no interior paulista. Além disso, lembra o também cirurgião Gustavo Giordani, a recuperação de um adolescente é mais rápida que a de um adulto. “O ideal é fazer o monitoramento com radiografias a partir dos 15 anos, para avaliar o momento mais oportuno”, ele sugere.

Os riscos de mantê-los
Se houver espaço suficiente para o dente se acomodar, é possível conviver com ele, mas assumindo o risco de encarar alguns dramas. Um panorama da encrenca que isso pode causar vem da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos. Ali, um estudo avaliou sisos sem nenhum sinal de que algo estava errado e descobriu um grande número de casos de infecções silenciosas capazes de afetar a gengiva, a raiz e os ossos da face. “Por isso, se a decisão for mantê-lo, é preciso fazer exames de imagem periódicos para detectar doenças antes de surgirem complicações”, adverte Robert Marciani, autor do trabalho.

Até porque a enrascada pode ir além da boca, como mostra outra pesquisa americana, da Universidade da Carolina do Norte. Feita em pacientes com o siso baqueado, ela constatou um aumento da proteína C-reativa, que indica a presença de inflamação no organismo. “Essa molécula é diretamente relacionada a panes cardiovasculares, principalmente infartos e derrames”, alerta José Flávio Torezan, cirurgião bucomaxilofacial do Hospital-Sírio Libanês, em São Paulo.

A lista de fatores apontados por especialistas para sua retirada preventiva é considerável. Para começar, esse componente tardio da dentição gosta de nascer em posições inconvenientes e danificar os vizinhos, isso quando não se infiltra no osso. Ele vive também em constante movimentação angular. Quando está parcialmente erupcionado, fica exposto às bactérias que causam cáries e infecções. Existe ainda a probabilidade de aparecerem cistos e tumores em seu entorno.

Sem temer a cirurgia
Para os que tremem só de pensar na cadeira do dentista, Augusto Pary, cirurgião bucomaxilofacial do Rio de Janeiro, garante que a operação é relativamente fácil, principalmente se for feita no momento adequado. “O procedimento tem índice muito baixo de complicação, por isso vale a pena tirar logo esses dentes e ficar livre de problemas”, ele recomenda.

Utiliza-se a anestesia local, e um tranquilizante é bem-vindo. “Ele ajuda o paciente a relaxar, mas não impede que fique acordado. Isso facilita o trabalho do profissional”, explica Pary. Em casos críticos – e raros -, é possível lançar mão da anestesia geral e a intervenção é feita em hospital. Já o pós-operatório… Vamos ser honestos e dar logo a má notícia. Ele é, sim, bastante dolorido, provoca inchaço e dificulta a alimentação. Muitos acham mais seguro arrancar dois sisos por vez, de modo que um lado da boca garanta a mastigação. A questão é que a movimentação torna a recuperação mais traumática, motivo pelo qual há quem recomende resolver tudo numa tacada só.

“Se a pessoa tirar dois ou quatro dentes, a dificuldade será a mesma”, opina José Flávio Torezan. “Não é melhor então sofrer uma única vez? Serão três ou quatro dias de molho, com alimentação pastosa, e pronto”, aconselha. Para Gustavo Giordani, cabe ao paciente tomar a decisão que o deixe mais seguro e, seja ela qual for, o importante é não descuidar da higiene da boca nesse período. Deve-se optar por uma escova ultramacia e fazer movimentos suaves, usando também os antissépticos receitados pelo dentista.

Seres evoluídos
Alguns poucos sortudos nem tomam conhecimento dessa novela toda, porque simplesmente não têm os terceiros molares. Pela evolução natural humana, essa ausência está se tornando mais comum nas últimas décadas, sem que isso represente prejuízos funcionais ou estéticos. “O problema é quando apenas um deles não aparece”, constata Giordani. “Nesse caso, o siso que surge ficará sem par na mordida. Assim, mesmo com espaço, é preciso removê- lo, já que não terá antagonista”, afirma.

A regra de ouro, portanto, é acompanhar o crescimento dos dentes. Depois, o de sempre: escovação correta, fio dental mesmo naqueles mais escondidinhos e, claro, nada de fugir da visita ao odontologista. “O ideal é aparecer a cada seis meses. Se não for possível, pelo menos uma vez por ano”, pondera Torezan. Tenha juízo e o seu sorriso agradece.



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